segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
segunda-feira, 21 de Julho de 2008
Os esquemas Ponzi – Parte IV
No auge do seu esquema, Ponzi tinha mais de dez mil investidores, muitos dos quais reinvestiam capital e rendimento cada quarenta e cinco dias.
Quando a pressão das investigações jornalísticas e forenses levou a que muitos quisessem vender as letras, houve especuladores os procuraram, resgatando-as por 50% do seu valor. Mesmo após a sua prisão, houve quem lhe enviasse fundos para a cadeia, a fim de serem investidos. Um crente é um crente!
Após cumprir quatro anos de pena, Ponzi foi acusado no estado da Flórida pela sua participação num esquema imobiliário fraudulento: em conluio com outros, comprou um terreno pantanoso de 50 hectares, a 32 dólares o hectare. Cada hectare seria dividido em 46 parcelas, a serem vendidas por 10 dólares a parcela, gerando um lucro de 428 dólares por hectare. Segundo alegava, este esquema piramidal permitiria que um capital inicial de 10 dólares se transformasse em 5.300.000 dólares em apenas dois anos.
Para fazer funcionar este esquema Ponzi vendeu "unidades de dívida", prometendo um retorno de 200 por cento a sessenta dias. O rendimento seria pago em dinheiro ou em bens imobiliários, conforme Ponzi decidisse. O esquema arrancou em Novembro de 1925 e Ponzi já tinha arrecadado mais de 7,000 dólares de investidores quando foi novamente detido. Fotografias do terreno que vendia revelavam que muitos dos lotes estavam completamente submersos debaixo de água. Ponzi foi novamente condenado e permaneceu na prisão até ser deportado. Morreu na miséria mas a sua herança prospera, e os seus seguidores cresceram e multiplicaram-se. Eis algumas das formas por que se manifestam:
A carta em cadeia
Hoje em dia massificada pelo uso do email, é talvez o mais vulgar dos esquemas Ponzi: pedem-lhe que envie dinheiro para as pessoas que constam na lista reproduzida na carta, enviando depois cópias dessa carta a outros, após ter acrescentado o seu próprio nome ao fim da lista, e eliminado o primeiro nome.
Festas de presentes
Para se juntar a estas festas é necessário dar um presente em dinheiro, por exemplo 4.000 euros, à pessoa que está "no topo". Atingida uma quantia pré-definida, essa pessoa nomeia outra para lhe suceder "no topo".
O avião
Consiste numa pirâmide de 8 passageiros, 4 hospedeiras (M/F, naturalmente), 2 co-pilotos e 1 piloto. Para aderir ao esquema é necessário pagar um "direito de entrada". Tem então de recrutar mais 8 pessoas. Ao consegui-lo, é promovido a hospedeira. Os seus recrutas são incumbidos de recrutar 8 novos passageiros cada um. Se lhe parece reconhecer algo mas com nome diferente, relembre: se anda como um pato, e grasna como um pato...
Em Portugal o esquema Ponzi mais famoso foi sem dúvida o da "banqueira do povo", Maria Branca dos Santos. Nos anos oitenta atingiu tal dimensão que alarmou os meios financeiros e o governo ao ponto de o Ministro das Finanças se ter dirigido ao país pela televisão, aconselhando os portugueses a acautelarem-se.
Em 2006 as empresas Afinsa e Fórum Filatélico foram acusadas de não serem mais do que um esquema Ponzi, curiosamente envolvendo também selos, lesando dezenas de milhar de investidores.
Finalmente, há quem considere que o maior esquema Ponzi jamais inventado se encontra em funcionamento, com enquadramento e protecção legal: trata-se da segurança social. Há cada má-língua!




